Por Renato Salles
Em greve há 25 dias, centenas de
professores municipais voltaram a ocupar as ruas centrais de Juiz de
Fora e fazem, na tarde desta terça-feira (7), uma passeata pela Avenida
Rio Branco, em meia-pista, no sentido Centro-Bom Pastor. Os
manifestantes caminharam até o Calçadão da Rua Halfeld e chegaram a
fechar as três pistas da da Avenida Rio Branco por cerca de cinco
minutos. O trânsito na principal via da cidade ficou comprometido por 20 minutos.
Reunidos em assembleia na tarde desta terça-feira (7) no Ritz Hotel, a
categoria voltou a negar proposta feita pela Prefeitura e aprovou por
unanimidade a continuidade da paralisação por tempo indeterminado.
Em mesa de negociação formada na segunda (6), o Município sinalizou
com a readequação imediata de cerca de 50 professores que passariam de
regentes A (PR-A) para regentes B (PR-B), o que valeria para todos os
servidores efetivos com licenciatura ou curso superior em qualquer área.
De acordo com a Prefeitura, a recolocação significaria reajustes entre
36% e 47% para os beneficiados pela medida. A proposição apresentada
pela Prefeitura trouxe outros dois pontos. Um diz respeito à adoção de
licença remunerada pelo período de dois anos – prorrogáveis por mais
dois – para que os professores regentes A que não possuem curso superior
possam buscar a formação. O terceiro item trata da criação de uma nova
carreira – com 40 horas semanais – e da realização de concurso público. A
medida possibilitaria aos profissionais temporários a possibilidade de
ingressar no quadro efetivo do magistério.
Nas ruas
Durante a assembleia e a passeata pelo
Centro, a maior parte das falas dos grevistas atacaram o artigo 9º da
Lei 13.012/2014, que permite ao Município a concessão de reajustes
diferenciados aos docentes em casos específicos, de forma a evitar que
profissionais que se encontram na base da carreira recebam abaixo do
valor estabelecido pela Lei Nacional do Piso. A categoria pede
a revogação do dispositivo, um dos pleitos que levou os servidores a
cruzarem os braços.
Ferramenta de pressão, atos públicos
como a passeata desta terça-feira têm sido recorrentes após as
assembleias da categoria. Em busca de uma solução para o impasse que
deixa a maioria dos alunos da rede municipal sem aulas, uma nova reunião
entre representantes do Sindicato dos Professores e do Executivo
municipal está agendada para a tarde desta quarta-feira. Os docentes
voltam a discutir os rumos do movimento e as negociações com o Município
nesta sexta-feira, às 14h, novamente no Ritz Hotel.
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